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sábado, 26 de novembro de 2016

Cultivo de Bardana em tubo de PVC

A Bardana (Arctium lappa) é uma planta multipropósito (medicina natural, macrobiótica, alimentação humana e animal, preparados para horta, repelente de insetos, etc...) de fácil cultivo. Recentemente ganhei algumas sementes, em um encontro de troca de sementes orgânicas, e resolvi cultivar.
Mudas de Bardana, prontas para transplante.
Pesquisei um pouco para conhecer melhor as formas de cultivo e, como meu propósito é colher as raízes e a terra do meu quintal é extremamente argilosa, resolvi cultivar minhas bardanas dentro de um tubo de PVC. Assim, preparo um substrato mais arenoso, que irá facilitar o crescimento e a remoção das raízes, quando estas estiverem no ponto de colheita.

O plantio da bardana pode ser feito em sementeira ou direto no campo, do início da primavera até início do outono. No cultivo em sementeira, basta colocar, de 2 a 3 sementes em um pote, manter a umidade e aguardar a germinação que ocorre, geralmente, de 7 a 10 dias. Deixar somente 1 planta por pote. Assim que a planta apresentar o 3 conjuntos de folhas, transplantar para o local definitivo, no meu caso, para o tubo (cano) de PVC.

Já para cultivo direto, basta semear de 2 a 3 de sementes por berço. Quando as sementes brotarem e atingirem 3 conjuntos de folhas, remover as mais fracas, deixando somente 1 planta por berço.

Mudas de Bardana já transplantadas nos tubos de PVC
Quando as folhas da bardana começarem a murchar (isso deve acontecer por volta de 90 a 120 dias após o transplante), é sinal que é hora de colher as raízes. Como o plantio foi feito dentro do tubo de PVC, basta remover o cano e retirar a raiz com facilidade.

Veja mais detalhes e dicas no vídeo:


quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Como germinar e preparar Batata

para cultivo em pequena escala

Sempre pensei que o cultivo de batata inglesa era algo reservado para poucos, pois num encontrei, com facilidade, sementes de batata, ou melhor, batata semente para cultivo.

Batata suja de terra, ou a lavada, são ideais para germinação.

Após conversar com um antigo bataticultor, que jaz abandonará a profissão, o mesmo me orientou a conseguir algumas batatas orgânicas, que seriam as minhas sementes, e fazer a brotação em casa mesmo, através de um método muito simples: colocar as batatas em um local fresco e escuro, por 30 a 45 dias e pronto! Fiz o procedimento e não é que as batatas brotaram!.

Segui ainda outra orientação do antigo bataticultor: cortar as batatas brotadas em pedaços menores, para aproveitar melhor os brotos.

Flor da batata

Meu amigo bataticultor ainda me deu algumas dicas importantes:
- Não usar batatas escovadas, pois elas não germinam. Utilize as sujas, ou as lavadas;
- O período de desenvolvimento dos tubérculos se dá 35-40 dias. Este desenvolvimento é muito rápido, o que leva a batata a atingir o tamanho máximo em duas semanas. De 40 a 110 dias, a batata ganha peso atinge o ponto de colheita; 
- Pode-se plantar batata o ano todo, porém, os cultivos de inverno e primavera produzem batatas mais graúdas, já que os tuberculos se desenvolvem melhor em temperaturas entre 15ºC e 25ºC;
- Temperatura acima de 20ºC, durante a noite, por mais de 60 dias, principalmente no início do cultivo, inviabiliza a produção, gerando poucas batatas e estas muito pequenas. Por este motivo, em algumas regiões do pais, como Norte e Nordeste, economicamente falando, é inviável cultivar batatas;
- A época ideal para plantio, varia de região para região:
  1. No Sul = novembro a dezembro;
  2. No Sudeste e Centro-oeste = de abril a maio. No Sudeste ainda temos a possibilidade de plantio entre julho e agosto.

Veja os detalhes do processo no vídeo:

domingo, 14 de agosto de 2016

Cabelo Humano

Aprenda a usá-lo como adubo orgânico e repelente de lesmas

O cabelo humano é considerado como um material de descarte, lixo mesmo. Porém, ele tem várias utilidades que, muitas vezes, desconhecemos.

Uma destas utilizações desconhecidas, ou melhor, esquecidas - pois minha avó já usava o cabelo desta maneira - é usar o cabelo como adubo.
Cabelo é um excelente adubo orgânico para nossa horta

Esta possibilidade de usá-lo como adubo, se deve a sua alta concentração de nutriente, uma vez que ele é, predominantemente, composto de proteínas, que são fontes de nitrogênio. Comparando o cabelo com outras fontes de nitrogênio, ele tem 30 vezes mais nitrogênio que esterco de gado, 10 vezes mais que o composto e 7 vezes mais que esterco de galinha. Seu teor de nitrogênio é comparado a farinha de sangue.

Além disso, o cabelo humano também contém enxofre, carbono e 20 outros elementos químicos essenciais para o bom desenvolvimento das plantas.

Por ser rico em proteínas, o cabelo demora muito tempo para se decompor completamente, em média 1 a 2 anos, caracterizando-o como um adubo de liberação lenta, sendo indicado, principalmente, em cultivos de perenes. Mas, nem por isso, devemos deixar de usá-lo nos nossos cultivos anuais. Experiências recentes, feitas na Índia, em produções hortícolas, mostraram que somente uma aplicação direta do cabelo humano no solo, fornece nutrientes necessários para as plantas durante 3 safras ou mais.

Já quando misturado a fontes ricas em carbono, na pilha de compostagem, o cabelo se decompõem rapidamente, em média 2 a 3 meses. Já no minhocário, ele se decompõem em até 2 meses.

Alem do mais, podemos encontrar cabelo humano com muita facilidade. Podemos combinar com barbeiros ou cabeleireiros, para recolher regularmente os cabelos que eles cortam. Mas ATENÇÃO: Não usar cabelos com tratamento químicos e coloridos artificialmente.

1 - Como usar o cabelo como adubo

- Como cobertura morta e repelente de lesmas: ladeando as plantas no canteiro, além de liberar os nutrientes no solo lentamente, preserva a umidade no solo e evita o acesso de lesmas e caramujos aos nossos cultivos;

- Na composteira e no minhocário: bem espalhado em camadas, não deixando formar bolos de cabelo. Entra na fórmula de preparo do composto como fonte de nitrogênio com taxa de C/N = 10:1.

Mais dicas e informações no vídeo:


2 - Dicas:

- Tudo que foi dito sobre o cabelo humano, também vale para pelos de animais;
- Para acelerar mais ainda a decomposição do cabelo, em composteira, usar cabelos mais curtos, ou cortar as madeixas, de modo que não fiquem muito longas.


3- Fonte:

- Human hair as fertilizer, P. Subbiah, Communicator: Sathavu, M. Nam Vazhi Velanmai (Tamil Version of Honeybee), 1998.
- Fertilizer from hair, M. M. Rahman, ChE Thoughts, vol. 1, no. 1, pp. 20–21, 2010

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Sementeira Aquecida

Auxilio a produção de mudas de hortaliças no inverno

Um grande desafio na produção de mudas de hortaliças no inverno é conseguir escalonar o plantio, pois com as baixas temperaturas, as sementes demoram a germinar, dificultando o planejamento da produção.

No meu caso, por exemplo, a rúcula, que normalmente demora até 10 dias para germinar, na época do inverno, quando as temperaturas estão abaixo de 15ºC, demora 20 dias ou mais para conseguir germinar. O alface, que demora até 7 dias nas outras épocas do ano, no inverno demora mais de 10 dias. Devido a estas incertezas de quando eu realmente teria as mudas prontas, minha produção escalonada de hortaliças ficava prejudicada, ficando as vezes semanas sem colheita.
Manta Térmica, usada para aquecer a sementeira

Uma alternativa prática para este desafio é usar uma manta térmica (conhecida também como tapete térmico), destas usadas em terrários e para aquecimento de répteis, sob a sementeira, ou sob uma estufa, a fim de aquecê-la, garantindo assim um ambiente com temperaturas mais altas, que propiciam uma germinação dentro do tempo esperado.

Detalhe da manta sob a estufa sementeira
Próximo passo do projeto será acrescentar um termostato a estufa, para garantir que a temperatura não fique acima da recomendada.

Mais detalhes no vídeo:

terça-feira, 14 de junho de 2016

Como fazer adubação orgânica de frutíferas

Para manter nossas árvores frutíferas sempre saudáveis, um dos fatores que devemos observar é mantê-las sempre bem adubadas, pois é através deste alimento que nossas árvores irão gerar flores e, consequentemente, bons frutos.

Cada espécie de frutífera tem uma exigência especial de adubação. Algumas plantas necessitam mais zinco que outras, algumas precisam de boro em menor quantidade. Devemos consultar as literaturas disponíveis para conhecermos as exigências nutricionais específicas de cada frutífera que desejamos adubar.

Entretanto, quanto falamos de frutíferas nativas regionais brasileiras, como dizemos aqui em Minas "aí é que o trem desanda!", pois: quais são as necessidades de adubação de uma grumixama? de um gravatá? de um cambuci, da uvaia, do araçá??? Praticamente não temos nenhum estudo sobre estas necessidades!

Para todas as frutíferas já estabelecidas, que já produzam frutos, inclusive as nativas regionais, podemos adotar uma fórmula básica orgânica, que atenda as necessidades primárias de nutrição de qualquer espécie frutífera, assegurando particularmente uma boa colheita anual.

1 - Fórmula básica para adubação de frutíferas:
- Farinha de osso = 200 g a 300 g por m2 de área da árvore;
- Cinza de madeira = 50 g a 150 g por m2 de área da árvore;
- Esterco de gado = 6,5 litros, ou Composto orgânico = 10 litros, ou Esterco de galinha = 1 litro, por m2 de área da árvore;
- Húmus de minhoca = 1 kg a 1,5 kg por árvore;
- Pó de rocha (opcional) = 500 g a 1000 g por árvore;

Para a farinha de osso, a cinza de madeira, o pó de rocha e o húmus de minhoca: quanto mais alta e frondosa a arvore, maior a quantidade destes produtos.

2 - Calculando a área da frutífera:
Quando falamos de metros quadrados de área de um árvore, nos referimos a sua circunferência. Para calcular esta área, medimos a distância entre base do tronco da árvore, o mais próximo ao chão possível, até o ponto máximo de projeção da copa da mesma. Esse valor é o raio da árvore (R). Usamos a fórmula abaixo para obter a área:

Área da árvore = R x R x 3

Exemplo: para uma árvore com R = 2,1 metros, temos:  

Área da árvore = 2,1 x 2,1 x 3 = 13,23

Arredondados o valor da área da árvore para cima - para um valor múltiplo de 0,5 - temos que a área desta árvore é de  13,5 metros quadrados.


3 - Quando adubar:
Recomenda-se que façamos uma adubação, bem caprichada, uma vez por ano, pelo menos, de 1 mês a  mês e meio antes do período que anteceda a floração da frutífera. Se o período de floração precede a época das chuvas, podemos fazer a adubação 15 dias antes da floração. Se você não tem certeza de quando sua frutífera começa a florir, faça esta a adubação em meados de setembro.

4 - Como adubar:
Podemos, simplesmente, utilizar está fórmula em cobertura, sob a projeção da copa de nossa frutífera. Podemos também abrir alguns buracos, sob a copa, e preenche-los com esta adubação.

Aqui na minha casa, a técnica que utilizo é a da meia-lua, que consiste em abrir um sulco, em formato de meia-lua, a 2/3 do tronco até projeção da copa, região esta onde se concentram as raízes responsáveis pela nutrição da planta. Esta meia-lua deve ter, aproximadamente, 15 cm de profundidade, por 15 a 20 cm de largura, e medir de 1,5 a 3 metros de comprimento (quanto maior a árvore, maior o comprimento da meia-lua). Se o terreno é inclinado, devemos abrir a meia-lua do lado de cima da planta.


Dentro da meia-lua, depositamos primeiro a metade do húmus de minhoca. Misturar previamente a a farinha de osso, a cinza de madeira e o pó de rocha e espalhar dentro da meia-lua. Sobre esta mistura, espalhamos o resto do húmus. Umedecer levemente a meia-lua.

Sulco em meia-lua.

Se você tem alguns pés de confrei, colher algumas folhas, picar bem, e colocar as folhas de confrei sobre o húmus.

Colocar o esterco/composto, de modo a tampar toda a meia-lua. Se sobrar esterco/composto, espalhe-o ao redor da árvore. Umedecer todo o esterco e cobrir tudo com material orgânico (capim seco, ou casca de arroz, ou palha de café, etc...).

Para umedecer a meia-lua, costumo usar uma mistura de humato com EM ativado - que são sinérgicos entre si, pois um potencializa a ação do outro - diluídos em água.

5 - Adubação pós-colheita:
Um mês após a colheita de todas as frutas, faremos uma adubação de reforço, da seguinte maneira: Se tiver confrei, espalhar folhas picadas, na projeção da copa. Cobrir com 3 litros de esterco curtido, ou 5 litros de composto orgânico, por metro quadrado, misturado a 500 g de bokashi (ou bocac), mais 100 g de calcário. Umedecer bem a área e cobrir com material orgânico. Se não tiver confrei e/ou bokashi/bocac, fique, pelo menos, como o esterco/composto + calcário.

Mais detalhes no vídeo:


6 - Dicas:

- Durante o ano, para uma melhor nutrição da planta, aplicar caldas fermentadas de espécies diferentes, chorume de urtiga, solução de cálcio e humato, intercalando a aplicação mês a mês, em intervalos regulares;
- Fazer adubação verde, envolta da frutífera, com feijão de porco, para suprir as necessidades de nitrogênio, antes do período vegetativo da árvore;
- As exigências nutricionais específicas de cada espécie, podem ser agregadas a fórmula básica, para garantir uma nutrição completa;
- Se a frutífera tiver menos de 3 anos, e ainda não tiver produzido, aplicar 1/3 da fórmula básica de adubação no primeiro ano. Nos próximos anos, aplicar metade da fórmula básica;
- Plantas que entram em dormência, no inverno, não devem ser adubadas neste período. Aguardar meados de setembro, para adubá-las;
- Não utilizar cinza proveniente de churrasqueira, para compor a fórmula básica de adubação.

terça-feira, 24 de maio de 2016

É tempo de colheita - Cúrcuma

Como colher e armazenar os rizomas de Cúrcuma

Cúrcuma (Curcuma longa), ou açafrão da terra, é uma planta anual, parente do gengibre, que cresce bem em qualquer parte do nosso país.

Flor de Cúrcuma.

Após o florescimento, em meados do outono, as folhas da cúrcuma começam a secar, sinal que a colheita dos rizomas pode começar.

Hastes da cúrcuma secas, indicando que é hora da colheita.

Se a terra for fofa, basta puxar as hastes que os "dedinhos" saem inteiros da terra. No meu caso, a terra e bem argilosa e, para remover os rizomas, após a remoção das hastes, umedeço a área com um regador e uso um enxadão.

Como a cúrcuma se conserva melhor dentro da terra, só colho o que costumo consumir. No fim da colheita, sempre deixo alguns "dedinhos" na terra, assim, no próximo ano, terei cúrcuma brotando e crescendo no mesmo lugar.

Depois de colhidos os rizomas, remover a "pele" deste sobre a água corrente, aproveitando para remover a terra também. Após colhidos e lavados, os rizomas não costumam durar muito tempo fora da geladeira. Duram de 1 a 2 semanas. Para uma melhor conservação, coloque-os em um saco plástico, dentro da geladeira. Assim eles duram até 2 meses. Porém, com o tempo vão perdendo a umidade e vão murchando, mas ainda podem ser usados.

Outra opção (a que uso), é cortar os rizomas em rodelas e congelar. Desse modo, vou retirando as rodelas, para usar em chás, arroz, moqueca, etc... de acordo com que preciso. Conservados assim, duram de 5 a 6 meses.

Preparo dos rizomas para congelamento.

Se quiser fazer o pó de cúrcuma, basta lavar, fatiar e colocar para secar. Depois de seco, pilar, ou passar por um moedor de grãos (café), ou ainda, passar por um liquidificador industrial.

Mais detalhes sobre colheita e conservação da cúrcuma no vídeo:

quarta-feira, 4 de maio de 2016

É tempo de colheita - Araruta

Como colher e extrair o polvilho e a farinha de araruta


No interior das Minas Gerais, é comum o dito popular: "toda araruta tem seu dia de mingau", que alude ao fato de tudo ter seu destino traçado.

Araruta (Maranta arundinacea)
Consegui meus primeiros rizomas de araruta, de certa forma, graças ao destino: em 2005, recebi uma publicação da Embrapa Agrobiologia com o título: Araruta: Resgate de um Cultivo Tradicional (publicação aqui). Após ler a publicação, escrevi para a Fazendinha Agroecológica da Embrapa, perguntando sobre onde conseguir rizomas de araruta para cultivo. Para minha grata surpresa a Embrapa enviou-me 10 rizomas, cobrando somente o envio.

Plantei de imediato todos os rizomas que recebi. Desde então, ano após ano, no fim do mês de abril, começo de maio, quando as temperaturas começam a baixar no Sul de Minas, meu cultivo principia o amarelamento das folhas e as hastes das touceiras começam a tombar. Com estes dois sinais, sei que é hora de tirar da terra os rizomas da araruta.

Limpa a área a ser colhida, com a remoção de todas as hastes, dá-lhe enxadão na terra. E os rizomas vão surgindo, brancos e cônicos-alongados, alguns inteiros, outros cortados pela lamina do enxadão. Deixo sempre alguns rizomas na terra, pois assim, na primavera, estes brotarão e darão origem a novas plantas. Com isso, garanto a colheita do próximo ano, sempre farta!

1 - Processamento
1.1. Após a colheita dos rizomas
a) Lavar os rizomas, em água corrente, para remover as "cascas" e a sujeira;
b) Cortar os rizomas e bater com água no liquidificador;
c) Coar, em pano limpo, "lavando" o bagaço, recolhendo a água da coagem em uma bacia. Nesta água está o polvilho. No bagaço, que fica no pano, está a farinha;
d) Bater o bagaço com água novamente;
e) Coar mais uma vez;
f) Reservar o bagaço;

Rizomas de araruta lavados

1.2 - O polvilho
Para separar o polvilho da água:
a) Deixar a água que foi coada, que estará bem escura, repousar por 2 horas. Durante esse período, todo o polvilho irá decantar e assentar no fundo da bacia;
b) Escorrer a água em um balde, delicadamente, de modo a agitá-la o mínimo possível, de forma a deixar o polvilho no fundo da bacia. Reservar a água que sobrou para regar as plantas (veja mais abaixo);
c) Repetir os passos a e b, quantas vezes for necessário, até a água sobre o polvilho ficar transparente;

Separado o polvilho, colocar para secar, sobre uma superfície limpa, cobrindo com um tule ou um voal. De tempos em tempos, revolver o polvilho, desfazendo os torrões para secarem por inteiro. Se o sol estiver forte, o polvilho estará seco em 2 dias.

Polvilho após a secagem ao sol
Seco, basta peneirar, em uma peneira de trama média e depois em uma peneira de trama fina. Outra opção, é peneirar e, posteriormente, bater o polvilho no liquidificador. Guardar em vasilha limpa, seca e bem fechada.

O polvilho de araruta, mais fino e delicado que os demais, presta a inúmeros preparados que, literalmente, derretem na boca, como mingau, bolos, brevidades e cremes. Sendo de fácil digestão e fácil capacidade de gelificação, características estas não presentes no polvilho de mandioca ou de milho.

1.3 - A farinha
Para extrair a farinha:
a) Secar o bagaço ao sol;
b) Passar o bagaço seco por uma peneira de trama média. Se você gostar de uma farinha mais fina, peneirar novamente em peneira de trama fina;
c) Torrar a farinha em uma panela, ou no forno, ao ponto que desejar, sem, no entanto, deixar queimá-la.

Guardar a farinha em vasilha limpa, seca e bem fechada.

A farinha pode ser usada em farofas e pirão. Seu rendimento é menor que o polvilho, por isso, é costume usar a farinha de araruta em conjunto com farinha de milho ou mandioca.

2 - Aproveitamento dos rejeitos
O que sobrou da colheita e do processamento da araruta pode ser aproveitado da seguinte maneira:
a) Hastes das touceiras: podem ser passadas por um triturador e usadas como cobertura de solo, preferencialmente no local onde os rizomas foram removidos;
b) Cascas dos rizomas: podem ser colocadas na composteira ou minhocário;
c) Água da lavagem do polvilho: Por ser rica em fósforo e outros nutrientes, podemos usá-la para regar nossas plantas, na proporção de 1 litro de água de polvilho para 9 litros de água limpa. Regar a base das plantas, de 20 em 20 dias.
Fibra restante do processo de extração da farinha
d) Fibra do processamento da farinha: colocar em algum canto protegido da horta, para que os passarinhos utilizem em seus ninhos, ou coloque na composteira ou minhocário.

Mais detalhes da colheita e extração do polvilho e farinha no vídeo abaixo:


No vídeo, para ir direto a extração do polvilho, clique aqui. Para ir direto a extração da farinha, clique aqui.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Hibisco - Cultivo, Colheita e processamento

Como plantar, colher e preparar os cálices do Hibiscus sabdariffa para consumo

Existem mais de 250 variedades de Hibiscus pelo mundo a fora. Alguns meramente ornamentais, outros podem ser usados para fins medicinais e alimentícios. 

Hoje, vamos falar um pouco sobre a variedade com o nome científico de Hibiscus sabdariffa, conhecido popularmente como vinagreira, caruru-azedo, azedinha, rosela ou flor da Jamaica, ou ainda, simplesmente, hibisco.

Hibisco da variedade Hibiscus sabdariffa

Variedade muito pesquisada no mundo todo, devido a suas propriedades medicinais (contidas, principalmente, no cálice floral, sementes e raízes), e com várias utilidades culinárias.

Cultivo
O hibisco é uma planta anual (regiões temperadas), ou bianual (em regiões quentes), que se propaga através de sementes. Para a produção de cálices, a semeadura deve ser feita em meados de outubro, pois a planta precisa de, pelo menos, 13 horas de luz diária (fotoperíodismo), em seu período vegetativo, para ter uma produção satisfatória de flores. 


A planta gosta de solo com bom teor de matéria orgânica, bem drenado. Como nossa intenção é a produção de cálices, não é desejável um solo rico em nitrogênio, pois este encoraja o crescimento vegetativo e reduz a produção de flores. O uso de preparados de confrei (calda fermentada, como cobertura de solo, etc) é uma boa pedida, já que o potássio, contido nesses preparados, é elemento importante na formação das flores.

A semeadura pode ser feito em bandejas, potes ou saquinhos, colocando-se até 2 sementes por célula, removendo a mais fraca, quando a mesma atingir 5 cm. Transplantar até duas mudas por berço, quando estas alcançarem de 7 a 10 cm.

Pode-se também semear direto no solo, colocando de 4 a 6 sementes por berço, fazer o desbaste das mudas, deixando até duas por berço, quando esta atingir 5 cm. O espaçamento recomendado é de 90 cm até 1,5 mt entre plantas, em linha, e de 1,5 mt até 3 mts entre as linhas.

As sementes de hibisco tem a casca dura, o que acaba dificultando a entrada de umidade na mesma, inibindo assim sua germinação. Para facilitar a entrada de umidade na semente, utilizamos o processo de escarificação manual a seguir: lixar uma das pontas arredondadas a semente, até remover uma pequena parte do revestimento preto da mesma, tomando cuidado para não ferir o embrião.
Onde lixar a semente de hibisco?




As sementes escarificadas começam a brotar de 10 a 15 dias, após o plantio. Se não escarificadas, o processo pode iniciar aos 30 ou mais dias.

Colheita e Processamento
A floração do hibisco inicia-se quando os dias começam a ficar mais curtos, dependendo assim da latitude do local do plantio. O meu cultivo, na latitude 22 S, a floração inicia-se em fins de janeiro e os cálices estão prontos para colheita em fins de fevereiro.

O ponto de colheita é quando os cálices atingirem de 4 a 6 cm de comprimento, com textura tenra e suas hastes firmes. 

Quanto mais os cálices maduros são colhidos, mais longa será a vida da planta e, consequentemente, maior a produção anual de cálices. Quando os cálices não são colhidos (deixados no pé, até os mesmos amadurecerem e espalharem suas sementes pelo chão), a produção de flores da planta diminui, ou para, e a mesma perde sua vitalidade, diminuindo sua vida útil.

Colheita feita!
A colheita dos cálices pode ser feita de 15 em 15 dias, ou de 20 em 20 dias.

A planta interrompe a floração quando a temperatura atinge 15ºC. Se a temperatura permanecer abaixo de 10ºC, por mais de 4 dias, a planta pode morrer. Na minha região, a planta para de produzir por volta de junho/julho e logo morre. Em regiões mais quentes, a floração pode perdurar por, até, 6 meses após seu início.

Furador de coco facilita a remoção da cápsula de sementes de dentro do cálice.

O processamento dos cálices deve ser feito logo após a colheita, do contrário, os cálices podem mofar. Este processamento visa remover, de dentro dos cálices, a cápsula de sementes. A remoção é feita com a ajuda de um furador de coco, ou de um cano de antena, ou mesmo uma faca. As cápsulas são postas para secar ao sol, a fim de facilitar a remoção das sementes.

Cápsulas de sementes secando ao sol.


Os cálices devem ser deixados de molho, em água com água sanitária, por 15 minutos, antes de serem usados para fins medicinais ou culinários. Caso não for usar os cálices imediatamente, os mesmos devem ser secos, a sombra, por um período de 7 a 10 dias. Assim os mesmos podem ser armazenados por um período mais longos.

Mais detalhes sobre a colheita e processamento no vídeo abaixo:

sábado, 26 de março de 2016

Chufa - Cultivo e Colheita

Infestante deliciosamente saborosa e de fácil cultivo.

Chufa em crescimento.
Essa tiririca (Cyperus esculentus), conhecida popularmente como chufa (palavra em espanhol que significa amêndoa da terra), desenvolve um tubérculo subterrâneo, que é rico em proteínas, carboidratos e gorduras, de sabor divinamente agradável.
Considerada um superalimento, seu cultivo é muito simples, com uma ressalva importante: assim como as outras tiriricas, a chufa pode, com facilidade, se tornar uma infestante, pois a mesma cria uma intensa cadeia de raízes e pseudo-tubérculos subterrâneos, que são muito difíceis de eliminar, tornando a mesma uma "praga". Por isso, para evitar que a chufa torne-se um problema na nossa horta, recomendo o cultivo em vasos ou floreiras.

Como cultivar:
Para que os tubérculos da chufa se desenvolvam com facilidade,o substrato para o cultivo de ser de textura leve (terra fofa), mais para arenoso, mas capaz de reter umidade suficiente para o desenvolvimento das suas "batatinhas". Assim, após alguns teste, cheguei ao substrato abaixo:
- terra + composto de boa qualidade, em quantidades iguais;
- 2 vezes o volume da mistura acima, em areia.

Melhor época para o plantio é no final de agosto e começo de setembro, quando as noites ainda são amenas e os dias começam a ficar quentes.

Deixe as batatinhas de molho por 24 horas, em água, para facilitar o processo de brotação. Plante em seguida, de 5 a 10 cm de profundidade e aguarde os brotos surgirem.

Veja o vídeo para mais detalhes:


Quando a parte aérea (as folhas) da chufa estiverem secas, é hora de colher. Se você plantou as batatinhas no fim de agosto, a chufa deve secar em meados de março.

Tubérculos (batatinhas) colhidos.

Para colher, basta peneirar a terra dos vasos e separar as batatinhas. Depois, basta comê-las, fazer seu leite de chufa e aproveitar a farinha para misturar a massa de bolos ou pizza. Para conservá-la por mais tempo, seca-las ao sol.