Aprenda a usá-lo como adubo orgânico e repelente de lesmas
O cabelo humano é considerado como um material de
descarte, lixo mesmo. Porém, ele tem várias utilidades que, muitas vezes, desconhecemos.
Uma destas utilizações desconhecidas, ou melhor, esquecidas
- pois minha avó já usava o cabelo desta maneira - é usar o cabelo como adubo.
Cabelo é um excelente adubo orgânico para nossa horta
Esta possibilidade de usá-lo como adubo, se deve a sua alta
concentração de nutriente, uma vez que ele é, predominantemente, composto de
proteínas, que são fontes de nitrogênio. Comparando o cabelo com outras fontes
de nitrogênio, ele tem 30 vezes mais nitrogênio que esterco de gado, 10 vezes
mais que o composto e 7 vezes mais que esterco de galinha. Seu teor de
nitrogênio é comparado a farinha de sangue.
Além disso, o cabelo humano também contém enxofre, carbono e
20 outros elementos químicos essenciais para o bom desenvolvimento das plantas.
Por ser rico em proteínas, o cabelo demora muito tempo para
se decompor completamente, em média 1 a 2 anos, caracterizando-o como um adubo
de liberação lenta, sendo indicado, principalmente, em cultivos de perenes.
Mas, nem por isso, devemos deixar de usá-lo nos nossos cultivos anuais.
Experiências recentes, feitas na Índia, em produções hortícolas, mostraram que
somente uma aplicação direta do cabelo humano no solo, fornece nutrientes
necessários para as plantas durante 3 safras ou mais.
Já quando misturado a fontes ricas em carbono, na pilha de
compostagem, o cabelo se decompõem rapidamente, em média 2 a 3 meses. Já no
minhocário, ele se decompõem em até 2 meses.
Alem do mais, podemos encontrar cabelo humano com muita
facilidade. Podemos combinar com barbeiros ou cabeleireiros, para recolher
regularmente os cabelos que eles cortam. Mas ATENÇÃO: Não usar cabelos com tratamento químicos e coloridos artificialmente.
1 - Como usar o cabelo como adubo
- Como cobertura morta e repelente de lesmas: ladeando as plantas no canteiro, além de liberar os nutrientes no solo lentamente, preserva a umidade no solo e
evita o acesso de lesmas e caramujos aos nossos cultivos;
- Na composteira e no minhocário: bem espalhado em camadas,
não deixando formar bolos de cabelo. Entra na fórmula de preparo do composto como fonte de nitrogênio com
taxa de C/N = 10:1.
Mais dicas e informações no vídeo:
2 - Dicas:
- Tudo que foi dito sobre o cabelo humano, também vale para pelos de animais;
- Para acelerar mais ainda a decomposição do cabelo, em composteira, usar cabelos mais curtos, ou cortar as madeixas, de modo que não fiquem muito longas.
3- Fonte:
- Human hair as fertilizer, P. Subbiah, Communicator:
Sathavu, M. Nam Vazhi Velanmai (Tamil Version of Honeybee), 1998.
- Fertilizer from hair, M. M.
Rahman, ChE Thoughts, vol. 1, no. 1, pp. 20–21, 2010
Para manter nossas árvores frutíferas sempre saudáveis, um dos fatores que devemos observar é mantê-las sempre bem adubadas, pois é através deste alimento que nossas árvores irão gerar flores e, consequentemente, bons frutos.
Cada espécie de frutífera tem uma exigência especial de adubação. Algumas plantas necessitam mais zinco que outras, algumas precisam de boro em menor quantidade. Devemos consultar as literaturas disponíveis para conhecermos as exigências nutricionais específicas de cada frutífera que desejamos adubar.
Entretanto, quanto falamos de frutíferas nativas regionais brasileiras, como dizemos aqui em Minas "aí é que o trem desanda!", pois: quais são as necessidades de adubação de uma grumixama? de um gravatá? de um cambuci, da uvaia, do araçá??? Praticamente não temos nenhum estudo sobre estas necessidades!
Para todas as frutíferas já estabelecidas, que já produzam frutos, inclusive as nativas regionais, podemos adotar uma fórmula básica orgânica, que atenda as necessidades primárias de nutrição de qualquer espécie frutífera, assegurando particularmente uma boa colheita anual.
1 - Fórmula básica para adubação de frutíferas:
- Farinha de osso = 200 g a 300 g por m2 de área da árvore;
- Cinza de madeira = 50 g a 150 g por m2 de área da árvore;
- Esterco de gado = 6,5 litros, ou Composto orgânico = 10 litros, ou Esterco de galinha = 1 litro, por m2 de área da árvore;
- Húmus de minhoca = 1 kg a 1,5 kg por árvore;
- Pó de rocha (opcional) = 500 g a 1000 g por árvore;
Para a farinha de osso, a cinza de madeira, o pó de rocha e o húmus de minhoca: quanto mais alta e frondosa a arvore, maior a quantidade destes produtos.
2 - Calculando a área da frutífera:
Quando falamos de metros quadrados de área de um árvore, nos referimos a sua circunferência. Para calcular esta área, medimos a distância entre base do tronco da árvore, o mais próximo ao chão possível, até o ponto máximo de projeção da copa da mesma. Esse valor é o raio da árvore (R). Usamos a fórmula abaixo para obter a área:
Área da árvore = R x R x 3
Exemplo: para uma árvore com R = 2,1 metros, temos:
Área da árvore = 2,1 x 2,1 x 3 = 13,23
Arredondados o valor da área da árvore para cima - para um valor múltiplo de 0,5 - temos que a área desta árvore é de 13,5 metros quadrados.
3 - Quando adubar:
Recomenda-se que façamos uma adubação, bem caprichada, uma vez por
ano, pelo menos, de 1 mês a mês e meio antes do período que anteceda a floração
da frutífera. Se o período de floração precede a época das chuvas, podemos fazer a
adubação 15 dias antes da floração. Se você não tem certeza de quando
sua frutífera começa a florir, faça esta a adubação em meados de setembro.
4 - Como adubar:
Podemos, simplesmente, utilizar está fórmula em cobertura, sob a projeção da copa de nossa frutífera. Podemos também abrir alguns buracos, sob a copa, e preenche-los com esta adubação.
Aqui na minha casa, a técnica que utilizo é a da meia-lua, que consiste em abrir um sulco, em formato de meia-lua, a 2/3 do tronco até projeção da copa, região esta onde se concentram as raízes responsáveis pela nutrição da planta. Esta meia-lua deve ter, aproximadamente, 15 cm de profundidade, por 15 a 20 cm de largura, e medir de 1,5 a 3 metros de comprimento (quanto maior a árvore, maior o comprimento da meia-lua). Se o terreno é inclinado, devemos abrir a meia-lua do lado de cima da planta.
Dentro da meia-lua, depositamos primeiro a metade do húmus de minhoca. Misturar previamente a a farinha de osso, a cinza de madeira e o pó de rocha e espalhar dentro da meia-lua. Sobre esta mistura, espalhamos o resto do húmus. Umedecer levemente a meia-lua.
Sulco em meia-lua.
Se você tem alguns pés de confrei, colher algumas folhas, picar bem, e colocar as folhas de confrei sobre o húmus.
Colocar o esterco/composto, de modo a tampar toda a meia-lua. Se sobrar esterco/composto, espalhe-o ao redor da árvore. Umedecer todo o esterco e cobrir tudo com material orgânico (capim seco, ou casca de arroz, ou palha de café, etc...).
Para umedecer a meia-lua, costumo usar uma mistura de humato com EM ativado - que são sinérgicos entre si, pois um potencializa a ação do outro - diluídos em água.
5 - Adubação pós-colheita:
Um mês após a colheita de todas as frutas, faremos uma adubação de reforço, da seguinte maneira: Se tiver confrei, espalhar folhas picadas, na projeção da copa. Cobrir com 3 litros de esterco curtido, ou 5 litros de composto orgânico, por metro quadrado, misturado a 500 g de bokashi (ou bocac), mais 100 g de calcário. Umedecer bem a área e cobrir com material orgânico. Se não tiver confrei e/ou bokashi/bocac, fique, pelo menos, como o esterco/composto + calcário.
Mais detalhes no vídeo:
6 - Dicas:
- Durante o ano, para uma melhor nutrição da planta, aplicar caldas fermentadas de espécies diferentes, chorume de urtiga, solução de cálcio e humato, intercalando a aplicação mês a mês, em intervalos regulares; - Fazer adubação verde, envolta da frutífera, com feijão de porco, para suprir as necessidades de nitrogênio, antes do período vegetativo da árvore;
- As exigências nutricionais específicas de cada espécie, podem ser agregadas a fórmula básica, para garantir uma nutrição completa;
- Se a frutífera tiver menos de 3 anos, e ainda não tiver produzido, aplicar 1/3 da fórmula básica de adubação no primeiro ano. Nos próximos anos, aplicar metade da fórmula básica;
- Plantas que entram em dormência, no inverno, não devem ser adubadas neste período. Aguardar meados de setembro, para adubá-las;
- Não utilizar cinza proveniente de churrasqueira, para compor a fórmula básica de adubação.
Sou da área de TI mas... apaixonado por agricultura urbana usando os princípios da agricultura viva. Apaixonado também pela história do Sul de Minas e minha terra. Fã de uma boa trilha ou uma simples caminhada junto a natureza.